sexta-feira, 2 de março de 2018

O Dilúvio aconteceu?

Castigo divino ou catástrofe natural? Há indícios cada vez mais fortes de uma enchente terrível na região do Dilúvio bíblico.oi uma praga e tanto. Deus viu a terra cheia da violência dos homens e decidiu puni-los com uma chuva copiosa e torrencial. Choveu sem parar durante 40 dias e 40 noites e o mundo ficou inundado. As águas afogaram todos os humanos e animais, exceto aqueles que se refugiaram na arca de Noé. Depois que as águas baixaram, Noé desembarcou no Monte Ararat (na atual Turquia) e todos saíram da arca para se multiplicar novamente.

A história do Dilúvio está narrada na Bíblia em quatro capítulos do Gênesis. Mas será que ele aconteceu de fato? Aos olhos da ciência, provavelmente sim. Pelo menos é o que dizem William Ryan e Walter Pitman, dois oceanógrafos americanos da Universidade Columbia. Para eles, a partir da análise de fósseis e sedimentos marinhos, o dilúvio foi uma invasão colossal do Mar Negro pelas águas do Mediterrâneo. O fato teria ocorrido cerca de 7 500 anos atrás, como consequência do degelo das calotas polares do último período glacial (há cerca de 12 mil anos).
O gelo derretido elevou o nível dos oceanos e rompeu uma barreira natural que impedia a passagem da água do Mediterrâneo para o Mar Negro (que era de água doce). O nível deste subiu 15 centímetros por dia e, em três anos, ficou 150 metros mais profundo.
Nas tradições dos povos antigos, no entanto, existem inúmeras narrações de dilúvios causados por uma ofensa dos homens a uma divindade.

Dilúvios regionais

Os cientistas não acreditam que houve um único dilúvio universal, mas, sim, que muitos povos guardaram a lembrança de um dilúvio local e a repassaram num sentido mais amplo. A história bíblica da Arca de Noé, nesse caso, é somente a mais conhecida no mundo ocidental. Só que, para teólogos e historiadores, o dilúvio não passa de uma representação simbólica, sem ligação com nenhum evento histórico que possa ter ocorrido há milhares de anos.

Herculano, Pompeia e Sorrento


Essa semana, nosso colaborador Laurent Cendras,  historiador de arte e guia em Paris, nos enviou um artigo de sua viagem para Herculano, Pompeia e Sorrento, na província de Nápoles, sul da Itália.




Ruinas Herculano


 Lá descobriu lugares inesquecíveis, como as cidades romanas soterradas pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.c. e Punta Campanella, território cênico, onde a Península Sorrentina se une à Costa Amalfitana. De acordo com a Odisséia, foi lá que Ulysses encontrou as Sirenas feiticeiras, os gregos construíram um templo à deusa Atenas e os romanos cultivavam a deusa Minerva. Uma área natural, maravilhosa, escondida e protegida. 


Herculano

A primeira etapa da nossa viagem foi a descoberta da cidade de Herculano que, como Pompeia, foi soterrada pelas cinzas da erupção do Vesúvio. Muitos de seus habitantes morreram devido à erupção e a cinza modelou seus corpos na posição que estes tinham no momento da sua morte. As escavações de 1738 trouxeram à luz mosaicos de grande interesse e numerosas pinturas murais de cores intensas. Em 1990, novas escavações revelaram mais de 200 esqueletos de diversas idades, sexo e condições sociais. Até hoje, a cidade de Herculano continua sendo escavada. É menos conhecida pelos turistas que Pompeia, porém mais frequentada pelos pesquisadores.


Pompeia

No dia seguinte, subimos o vulcão Vesúvio. A erupção em 79 d.c. foi uma das mais conhecidas e catastróficas de todos os tempos e destruiu também as cidades de Estábia e Oplontis. Desde a última erupção em 1944, o Vesúvio permanece relativamente quieto, no entanto pode-se ver a fumaça saindo da rocha. Impressionante! É preciso alugar um carro para subir ao vulcão. A estrada é linda e selvagem e é sempre melhor ir pela manhã. 

Subida para o VulcãoVesúvio

Continuamos o roteiro visitando o imperdível sítio arqueológico da cidade de Pompeia, considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO. A erupção de 79 d.c. provocou uma intensa chuva de cinzas que sepultou completamente a cidade. 


Vulcão Vesúvio

Pompeia esteve oculta por 1600 anos até ser reencontrada por acaso em 1748. Cinzas e lama protegeram as construções e objetos dos efeitos do tempo, moldando também os corpos das vítimas, o que fez com que fossem encontrados do modo exato como foram atingidos pela erupção. 


Pompeia



Não deixe de conhecer as extraordinárias villas antigas repletas de afrescos e mosaicos. Recomendo: a Casa do Fauno, uma das maiores e mais impressionantes residências romanas aristocráticas em Pompeia, com grandes obras de arte; a Casa dos Vettii, uma das mais célebres da antiga cidade; e a deslumbrante Villa dos Mistérios, de mais 2 mil anos, que reabriu em abril de 2015, após dois anos de restauração, com afrescos incríveis; para completar o passeio, o Jardim dos Fugitivos mostra os moldes em gesso das vítimas do Vesúvio, emocionante.

Casa romana


Recomendo passar um dia todo em Pompeia e almoçar no charmoso restaurante que fica na entrada do sítio arqueológico, com pratos da cozinha tradicional da região, simples e gostosa.


Anfiteatro Pompeia

De lá seguimos para a encantadora cidade de Sorrento, uma das maiores da Costa Amalfitana. Sua localização é única, com vista panorâmica para as ilhas de Capri, Prócida e Ischia. A vegetação é exuberante, com numerosos limoeiros e laranjeiras. Descobrimos no jardim do  prestigioso Grand Hotel Excelsior Vittoria uma espécie rara de limoeiro enxertada com laranjeira, dando ao mesmo tempo limões e laranjas. 

Limoeiro laranjeira - Sorrento

Este hotel cinco-estrelas é um dos mais sofisticados do mundo, construído em estilo vitoriano. Vale a pena ficar baseado lá e visitar toda a região, inclusive Capri, Ischia e Nápoles. O hotel também é conhecido pela alta gastronomia do chef Vincenzo Galano.


Vista Hotel Excelsior Vittoria

Em Sorrento, visitamos a Igreja de São Francisco, secular, repleta de obras de arte preciosas e seu claustro, com uma mistura de estilos arquitetônicos, de influências árabes, renascentistas e góticas. 

Igreja Sorrento

É super gostoso se perder pelo charmoso centro histórico da cidade, cheio de vielas e passagens secretas. Os famosos escritores Charles Dickens, Oscar Wilde e Máximo Gorki costumavam passar férias em Sorrento. Também foi lá que Nietzsche escreveu seu famoso livro “Humano, demasiado humano” e rompeu intelectualmente com Wagner. 


Cidade de Sorrento
Fourvière e as ruínas Galo-Romanas: nas colinas, em cima da Vieux Lyon, está a região de Fourvière, onde tudo começou há 2 mil anos, quando os romanos se instalaram ali e construíram a cidade de Lugdunum, hoje Lyon. Não deixe de visitar as ruínas do teatro romano do ano 15 A.C, com capacidade para 10 mil pessoas, é uma maravilha! O mais interessante é que até hoje o lugar é palco de shows e eventos culturais, da mesma forma como era usado pelos romanos.

 
Ruínas Galo-Romanas
Foto Internet
Basílica Nôtre Dame de Fourvière: construída em 1872, no local do antigo Fórum Romano de Trajano, essa basílica fica bem no alto da colina e pode ser admirada de diversos pontos da cidade, como se abençoasse Lyon. De lá, a vista é maravilhosa! Sua arquitetura contrasta com o restante mais antigo do centro histórico. 
Dica: para subir a Fourvière, vale a pena economizar suas pernas e pegar o funicular construído em 1900, que sai do metrô Vieux Lyon. Os passes do metrô valem também para o funicular.



Situado nos claustros do hotel com vista para o pátio. Servem deliciosos cafés da manhã e almoços leves. Se o tempo permitir pode-se jantar ao ar livre.




É uma boa pedida depois de um dia inteiro visitando a cidade. Atmosfera tranqüila, local perfeito para relaxar e saborear um tradicional pisco sour com comidinhas no final da tarde em frente a lareira escutando os melhores sons dos músicos de jazz de Cuzco.




A poucos passos da entrada do Hotel Monasterio, o Deli oferece lanches deliciosos com autêntico sabor peruano para quem está com pressa: pães caseiros recheados com deliciosas carnes e queijos, bolos e doces tentadores acompanhados por chás e cafés. Muito Bom!

Delli  Monasterio

Saíram do hotel para a estação de trem pegar o maravilhoso Orient Express Hiram Bigham. A viagem inclui aperitivos, música ao vivo e um almoço gourmet a bordo enquanto o trem percorre um cenário espetacular. A viagem de Cuzco até o povoado de Aguas Calientes, que é onde fica Machu Picchu, é de aproximadamente quatro horas. De lá subiram de carro até Machu Picchu e hospedaram-se no Hotel Inkaterra.

A cidade de Machu Picchu é incrível, tem tudo que uma cidade moderna hoje tem, até curvas em nível para plantação. É um lugar lindo, altíssimo, com uma vista maravilhosa. Não esqueça de fazer uma caminhada até o topo da montanha, de onde se tem uma vista deslumbrante de toda a cidadela de Machu Picchu.


Matchu Picchu, (velha montanha em quíchua), também conhecida por Cidade Perdida dos Incas é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha a 2.400mts de altitude no Peru. Foi construída no século XV, redescoberta e reconstruída em 1911: hoje resta apenas cerca de 30% da cidade original e mesmo assim é fantástico. As áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas pelo encaixe entre as pedras: a construção original é formada por pedras maiores com encaixes com pouco espaço entre as rochas como mostra na foto.


Os Incas eram muito evoluídos, a ponto de, já naquela época, estabelecerem duas divisões para seu território: agrícola e urbana. A agrícola formada por terraços e recintos de armazenagem e a urbana por áreas sagradas com templos, praças e mausoléus.

Os prédios, a qualidade do trabalho e o grande número de terraços para agricultura são impressionantes. No meio das montanhas, os templos, casas e cemitérios estão distribuídos de uma maneira organizadíssima, abrindo ruas e aproveitando o espaço com escadarias que, segundo a história inca, foi tudo planejado para a passagem do deus sol. Pela obra humana e pela localização geográfica, Machu Picchu é considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO.


Machu Picchu Sanctuary Lodge

O hotel fica na entrada do parque arqueológico e é o único em cima das montanhas. Machu Picchu Sanctuary Lodge oferece aos seus hóspedes a oportunidade de explorar esta excelente localização no final da tarde e no início do dia. Situado em jardins maravilhosos, a vista sobre Machu Picchu é deslumbrante, de tirar o fôlego! grande variedade de plantas nativas, inclusive orquídeas raras e exóticas. Uma variedade de massagens relaxantes, usando tratamentos de aromaterapia está disponível para relaxar depois de um dia cheio de aventuras. O café da manhã e o lanche da tarde são deliciosos! O restaurante é bárbaro! Pode-se fazer um pacote com o trem Hiran Bingham e o Hotel.

Machu Picchu Sanctuary lodge – Orient Express

Monumento Arqueológico de Machu Picchu - Aguas Calientes





Um show de hotel no meio da floresta, lindo demais. Serviço excelente, quarto confortável, comida bem feita e tudo muito limpo. Perfeito para relaxar após a visita em Machu Picchu! Localizado numa área reservada em Águas Calientes e de fácil acesso à Estação de trem.





Águas Calientes

Machu Picchu Pueblo também conhecido como Águas Calientes é conhecido por ser o mais próximo acesso à cidade Inca de Matchu Picchu, fica seis quilômetros de distância, uma hora e meia de caminhada, ou trinta minutos de ônibus. Tem muitos hotéis e restaurantes para turistas e fontes termais que deram o nome à cidade. Os banhos termais foram destruídos por enchentes mas já foram reconstruídos. 

Águas Calientes

Moravam ali fazendeiros e o pequeno povoado transformou-se num agitado acampamento de trabalhadores por causa da construção da ferrovia nos anos 20. A cidade então tornou-se o ponto central de acampamento até que a estrada de ferro terminou em 1931. Hoje os habitantes e turistas usufruem da estrada de ferro PeruRail vinda de Cuzco para visitar Machu Picchu.

Na volta minhas amigas pegaram outro trem, o Vistadome, também ótimo, todo aberto em cima, você vai vendo a linda paisagem e o custo é bem menor.

Trem Vistadome

Informações interessantes:

Há três tipos de trem de Cuzco Para Machu Picchu, para os diferentes tipos de turistas: o Backpacker, desenhado especialmente para aqueles passageiros com espírito de aventura, o Vistadome, para quem quer conforto sem precisar gastar muito, e o Hiram Bingham, para quem gosta de muito de luxo!

Existem três opções de acesso para Machu Pitchu:
Orient Express Trem Hiram Bingham: parte da Cidade de Cuzco e a viagem leva de três à quatro horas até chegar ao povoado de Águas Calientes. Neste local há micro-ônibus freqüentes que levam cerca de 30 minutos para chegar em Machu Picchu.

A segunda opção é pelo caminho Inca: uma caminhada de quatro dias para chegar a Machu Picchu pela "Porta do Sol". Pega-se o trem até o km 82 da ferrovia de Cuzco para Água Calientes e de lá começa a caminhada Inca.

A terceira opção: saindo da cidade de Cuzco, inclui um passeio do Vale Sagrado dos Incas até o monumento Ollantaytambo, pega-se o trem até Águas Calientes e um micro-ônibus para Machu Picchu.
  
Caminho Inca

Minhas amigas recomendaram fazer a viagem com guia particular, nunca em grupo: é mais tranqüilo e o guia pode respeitar mais o ritmo de cada um.  Chegando em Cuzco por causa da altura, tomar vários chás de coca e dar uma boa descansada: ter uma garrafa de água na mão até se aclimatar. E se puder escolher a época, ir antes do Corpus Christi: você assiste toda a organização da festa religiosa que é uma das mais importantes e bonitas de Cuzco sem muitos turistas.


Machu Picchu Centenário
Direção e Produção Alfonso Casabonne


 Peru